Chegou e sentou-se frente ao televisor, como nada mais existe-se. De certa forma não existia.
- Agora já nem um olá mereço...- disse da cozinha.
- Olá, amor. Desculpa, mas o jogo está a começar.
- Sempre existe qualquer coisa, não é? Um jogo, um programa.
- Mas o que queres? Deixa-me ver o jogo. Deixa-me em paz - disse num modo agressivo - não quero discutir contigo agora. Não estou na disposição.
- Nunca estás com disposição para nada. Nem para conversar, nem para falar, nem para tocar em mim. A desculpa do "dói-me a cabeça" devia ser minha…
- Não me venhas com isso agora. Eu estou a tentar ver o futebol. Deixa-me em paz.
- Não posso deixar-te em paz quando eu não estou em paz.
- Mas não estas em paz porque? Eu pago-te as contas, não te falta nada, e tu ainda estas a queixar-te? Eu realmente não vos percebo. As mulheres são complicadas...
- Tu não percebes, porque és um insensível - e apagou-lhe a televisão - agora vais me ouvir, custe o que custar...
- Então, agora apagas-me a televisão. Não podemos deixar isto para outra altura?
- Não. Agora é a altura ideal. Dizes-me que me não falta nada? E amor, carinho, compreensão? Ou isso para ti e nada... pois se isso para ti e nada, eu quero o divorcio. Já!
- O divorcio? Mas porque? Não és feliz?
- Só agora e que perguntas? Já nem me conheces? Já nem és capaz de ver o quanto eu estou infeliz? Se eu fosse feliz, achas que estaríamos a ter esta conversa?
- Eu sei que o nosso casamento esta um pouco... Sei lá, um pouco...
- Não está. Já não há casamento. Tu tens uma mulher em casa que te trata da roupa, comida e da casa. Não me tens uma mulher, tens uma criada.
- Mas o que queres. Fazer uma viagem? Algum electrodoméstico novo?
- Só quero o divórcio. E por essas razões... enquanto eu te falo sobre os meus sentimentos, tu perguntas se eu quero um electrodoméstico novo…
- Mas eu amo-te!
- E só agora e que me vens dizer isso? Acho que é um pouco tarde. Devias de te lembrar disso antes. E na verdade, tu não me amas. Só estás habituado a que eu esteja por ai - Após um breve silencio continuou - Eu vou levar algumas coisas para a casa da minha mãe. Depois venho buscar o resto.
- Só quero te dizer que isto e um erro que fazes.
- O erro que cometi foi não ter tornado esta decisão mais cedo. Adeus.
Ela levantou-se e foi para o quarto. Esteve lá cerca de 10 minutos. Depois, apareceu na sala com uma mala e sem dizer uma palavra saiu. Após ela sair, ele ainda ficou um pouco em silêncio, como se estivesse em transe. De repente, pegou no comando, ligou a televisão e continue a ver o jogo de futebol.
Um blog de discussão onde a esquerda e a direita estão representados mas isso é o que menos importa. Discussão de ideias, porque por ai, já ninguém tem muitas.... PROVOCAR É PRECISO!
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
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